Crescimento da exploração infantil no Brasil e no mundo

Publicado em15/10/2021

Linha fina: Pesquisas da UNICEF mostram um crescimento do trabalho infantil no Brasil, preocupações aumentam com respeito a proteção de crianças.

O Combate ao trabalho infantil precisa ser intensificado, é o que apontam os dados da UNICEF. Segundo dados da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para Infância), é previsto que mais de 8,9 milhões de crianças e adolescentes entrem para o trabalho até o ano de 2022, já são 160 milhões de adolescentes e crianças no trabalho infantil.

Esse crescimento se tornará ainda maior porque em virtude da pandemia muitas famílias perderam os seus empregos e isso acabou afetando na economia e no bolso dos Brasileiros. Mesmo o auxílio emergencial foi insuficiente para suprir as necessidades das famílias carentes. Dessa forma, como vem acontecendo em um cenário de desigualdade, as crianças acabam indo as ruas para ajudar a trazer o sustento para casa, seja por necessidade ou por imposição, exploração e obrigação.

A Exploração Do Trabalho Infantil Não É Novidade

Porém, é preciso dizer! O trabalho infantil não é nenhuma novidade! No Brasil desde a colonização as crianças negras e indígenas eram colocadas para exercer o trabalho doméstico e assim contribuírem para o sustento de suas famílias. Hoje em dia temos ainda um cenário bem parecido, onde crianças precisam ir as ruas por conta da desigualdade social e a falta de uma vida digna, Portanto, hoje o que tem acontecido é retrato do que já vem acontecendo a muito tempo.

Exploração Infantil Do Trabalho No Brasil

De acordo com a constituição Brasileira só é permitido trabalhar a partir dos 16 anos de idade com algumas restrições. Porém, a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios mostrou em uma pesquisa realizada em 2016 que o trabalho infantil está presente em praticamente todas as idades no período da infância. No ano de 2016 eram 104 mil crianças trabalhando com idade entre entre 5 -9 anos.

A pesquisa mostrou também que a predominância do trabalho infantil está concentrada principalmente na região Sudeste e Nordeste do Brasil. Com maiores índices na cidade de São Paulo, na região sudeste e Bahia na região nordeste. O interessante é pensar que em São Paulo a maioria dessas crianças que trabalham moram na zona periférica, e não é muito raro encontrar alguma dessas crianças vendendo bala no farol para ajudar os Pais. No Nordeste, é comum ver crianças fazendo o trabalho árduo como de um adulto, em um lugar onde a seca e a pobreza ocupam lugar até mesmo as crianças precisam trabalhar.

O Trabalho infantil é algo errado, mas o grande problema na maioria dos casos é a desigualdade que acaba fazendo com que crianças tenham que trabalhar. É papel do governo e sociedade combater a exploração do trabalho infantil, mas também é papel do governo combater a desigualdade, pois fazendo isso também estará evitando o trabalho infantil em muitos casos.

Por fim, o problema é estrutural, mas é preciso combater educando, protegendo e principalmente dando oportunidades para que crianças jamais precisem trabalhar. Denuncie a exploração do trabalho infantil, mas vamos pontuar a miséria, a fome, a falta de alternativa das famílias diante de uma crise na qual estamos vivenciando, É preciso olhar a raiz do problema e criar oportunidades para os adultos.

Em contrapartida não devemos jamais passar pano para a exploração infantil, pelo contrário, é crime! Portanto a profundidade do assunto exige análise e iniciativa governamental para combater a violência e criar oportunidades para que essas crianças não estejam submetidas a situações que podem ocasionar a exploração, ou o trabalho forçado e como única alternativa para o sustento da família. Porque é claro, existem situações bem distintas.